100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá traz história, beleza e cultura negra para Assembléia Legislativa
Em meio a tambores, tecidos brancos de Oxalá, orações e canções em yorubá, a sessão especial comemorativa dos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, de terreiros e do Estado. O evento ocorrido na manhã desta sexta-feira (11) transformou o plenário da Assembléia Legislativa em um grande encontro em homenagem às raízes africanas através do Candomblé e às iyalorixás (mães-de-santo) que a frente desse templo religioso fizeram história na Bahia.
O deputado estadual Bira Corôa destacou que este momento de reconhecimento e homenagem consagra e abrilhanta a caminhada dos ancestrais africanos pela preservação histórico-cultural. Bira ainda pontuou em sua fala o marco histórico conseguido com a luta de Mãe Aninha, a fundadora do Opô Afonjá, que conquistou a liberação legal do culto aos orixás, depois de uma audiência no Rio de Janeiro, em 1937 com o presidente Getúlio Vargas. “Agradeço pela resistência e existência do Ilê Axé Opô Afonjá, pois a nossa essência não está na epiderme, está sim na razão de ser negro”, concluiu o deputado.
Os deputados federais Zézeu Ribeiro (PT-BA) e Lídice da Mata (PSB-BA) reconhecendo o encanto de Mãe Stella de Oxóssi, lembraram a importância do Templo Religioso e a força da mulher na história do país. “Hoje estamos comemorando os 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá, que é uma referência nacional reconhecida pelo seu trabalho”, afirmou Zézeu. Lídice agradeceu o deputado Bira Corôa pelas introduções da cultura e religiosidade de matriz africana que o parlamentar tem realizado na Assembléia Legislativa.
O diretor do Irdeb Pola Ribeiro informou que o Candomblé de São Gonçalo (o Opô Afonjá) reúne ternura, força e acolhimento dentre tantas outras qualidades que possui. “Quanto mais aprendo, mais ignorante me sinto com a complexidade de conhecimento do Opô Afonjá”, disse Pola.
Segundo a juíza Luislinda Valois a homenagem a Mãe número 1 da Bahia veio tarde, mas felizmente foi lembrada e parabenizou o deputado Bira Corôa, pela sessão e por defender a promoção da igualdade.
Valois versou sobre a dificuldade de ser negro no Brasil, mas ressaltou que estamos vivendo um momento de mudanças. “É tempo da África, do Brasil, da Bahia, é tempo do empoderamento do negro”, concluiu a juíza.
Edvaldo Brito, vice-prefeito de Salvador, apresentou um cântico em Yorubá e concluiu sua fala afirmando o quanto era bom estarem todos juntos em um grande abraço.
O adido Cultural da Nigéria fez uma oração também em Yorubá complementando em sua fala que o Ilê Axé Opô Afonjá se tornara para o candomblé da Bahia um pilar de humanidade, de amor e de compaixão.
O Presidente da Fundação Sociedade Cruz Santa do Opô Afonjá José Ribamar Feitosa contou um pouco da história do terreiro desde mãe Aninha, passando por mãe Bada, mãe Senhora e Mãe Ondina até a atual Iyalorixá Mãe Stella de Oxossi, que vem fazendo um grande trabalho como matriarca do templo religioso. “Nossas Iyalorixás formam um grupo de mulheres em que todas são guerreiras”, afirmou o Ogã Ribamar.
A homenageada Mãe Stella, sendo a mais esperada na sessão especial, disse que o respeito e prestígio que a casa alcançou nestes 100 anos não foram em função de mesquinharia, vaidade ou arrogância e sim de entrega e dedicação das mães que a antecederam.
Mãe Stella recebeu duas placas comemorativas dos 100 anos do Opô Afonjá, uma entregue pela casa legislativa e a outra pelo deputado Bira Corôa com a inscrição de um provérbio de autoria da própria Iyalorixá e que traduzia: “a cabeça de uma pessoa faz dela um rei”.

Reconhecer que os paises africanos estão no Brasil e na Bahia é um grande avanço?
O papel das Comunidades de Terreiro (candomblé e umbanda) neste cenário politico em que vivemos é de grande valia. Estamos casda vez mais reproduzindo a história com jeitos diferenciados dos nossos antepassados.
A homenagem a Yalorixá Stella de Oxossi nossa refereência como mulher negra e mulher do candomblé nós enaltece.
Parabéns Deputado estadual Bira Corôa que siga de exemplo em homenagear nossas personalidades e celebridades religiosas ainda vivas. Com todo carinho e axé,
Egbonmy Conceição Reis d ògùn
Coordenadora Intecab-SP
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Por: Egbonmy Conceição Reis de Ógùn em outubro 11, 2010
às 4:15 am